terça-feira, 16 de setembro de 2014

Capítulo 1

[...]

Rio de Janeiro, Sábado, 14 de Junho de 2014 

Eram exatamente 14:45 da tarde quando ela desceu as escadas, não muito arrumada, mesmo assim linda. Sophie não precisava de muito para estar bonita, tinha nascido assim, e parecia que quanto mais simples, mais bonita ficava, era incrível:
-Bom Dia. - Cumprimentou ao ver seu pai passando pela sala. 
-Boa tarde meu bem. - Ele riu dela - Jamais vou me acostumar com esses seus horários. - Falava verificando o relógio. 
-Meu dia só começa depois das 14:00, ainda mais depois da "Precious". - Ela finalmente chegou até ele e o abraçou forte. 
-E por falar nisso, como anda a boate? - Augusto acariciou os cabelos ruivos da filha como sempre fazia. 
-Melhor do que todos nós imaginávamos para um começo. Não faz nem um mês que abrimos e já nos superamos nos lucros! - Ela respondeu animada - Ontem mesmo, foi um sucesso, casa cheia! 
-E eu querendo que você fizesse faculdade de direito como eu... É um sucesso como empreendedora. - Ele sorria derretido pela filha. 
-Ah, você sempre soube que direito não é pra mim, mas obrigada por aceitar minhas escolhas, por me ajudar a abrir a boate, prometo que logo logo seu capital vai estar de volta na sua conta. - Falou decidida. 
-Já disse que foi um presente Sophie, não vamos voltar nesse assunto. - Ele se afastou dela e pegou sua pasta. 
-E eu já disse que não aceito, vou lhe pagar tudo. - Ela caminhou atrás dele. 
-Que diferença faz, na minha conta ou na sua o dinheiro é seu do mesmo jeito. - O velho brincou. 
-Tudo bem, você me pegou agora. - Ela o cutucou - Vai trabalhar no sábado a tarde? 
-Vou, tenho um encontro com um cliente importante. 
-Já conversamos sobre você trabalhar menos? Ah é, já, um milhão de vezes. - Ela fez careta. 
-Você também trabalha aos sábados, não esta indo pra boate agora? - A pegou de novo. 
-Desisto de argumentar com você pai. - Ela sorriu. 
-Esqueceu que eu sou o melhor advogado desta cidade? - Ele a beijou na bochecha. 
-Pra mim é só meu pai, o melhor pai do mundo. - Confessou carinhosa e ganhou mais um beijo. 
-Eu te amo, se cuide por favor. - Ele disse antes de sair. 
-Te amo mais, me cuido sempre. - Jogou um beijo no ar. 

A relação entre Sophie e seu pai Augusto sempre fora ótima. E depois da morte de Josephine, mãe de Sophie, eles ficaram ainda mais ligados. Augusto vivia para sua única filha, depois de Josephine, que era uma grande pianista mas largou tudo pela família, Augusto não teve outras mulheres, nem mesmo namoradas, pelo menos não que ninguém soubesse. Sua vida girava em torno do seu escritório de advocacia e de Sophie, e seria assim até o fim dos seus dias. 

Já Sophie, idolatrava aquele pai, para ela, ele era um grande herói que a amava incondicionalmente e seria capaz de qualquer coisa pelo bem dela. Um grande homem que construiu uma bela carreira e consequentemente uma bela fortuna, alguém que fez sucesso na vida, e ela queria ser exatamente como ele, é claro que não sendo advogada.

Ela tinha acabado de abrir uma casa noturna no centro do Rio, se chamava "Precious", em homenagem ao apelido que seu pai tinha lhe colocado desde sempre, "Minha preciosa". E como disse, a boate estava indo de vento em poupa, em pouco tempo Sophie poderia começar a abrir outras filiais e transformar a Precisous numa grande e famosa rede de casas noturnas, como sonhava. Ela era comunicativa, simpática, decidida e firme, por isso, teria sucesso. 

Então, se dirigiu a boate para se certificar de que tudo estaria pronto para aquela noite de sábado que provavelmente lotaria mais uma vez. A Precious era a principio uma boate eletrônica, mas a ideia era de vez em quando, fazer noites temáticas com outros ritmos para atrair mais público. 

Quando chegou lá, encontrou logo Davi, seu amigo e fiel escudeiro. Ambos estudavam juntos desde o ginásio, depois, estudaram na mesma universidade, porém, ele fez Contabilidade e ela fez Publicidade, só porque tinha que fazer alguma coisa e estava em dúvida, sua única certeza era que não queria fazer Direito. 

-E ai minha rainha, dormiu bem depois da loucura de ontem? - Ele perguntou animado vindo cumprimentá-la. 
-Como um bebê. - Brincou enquanto o abraçava - E você, esta aqui desde que horas? 
-Cheguei por volta das 13:00, sou o ultimo a sair e o primeiro a chegar, você já devia ter se acostumado.
-Sei... Mas e aí, tudo pronto pra hoje? - Ela olhou em volta onde outras pessoas já trabalhavam carregando bebidas, ou mexendo na iluminação. 
-Prontíssimo, só faltava você pra dar o ok final. - Ele fazia gestos com as mãos. 
-Confio em você. - Ela sorriu - Mas me diga, foi embora sozinho ou acompanhado? - Ela o cutucou. 
-Sozinho né? Pra achar um gay nessa boate aqui é um sacrifícil, só vem aqueles machões, todos atrás de você né baby. - Apontou o dedo. 
-Você não esta procurando direito. - Ela deu de ombros.
-Mas e você, foi embora sozinha todas as noite, não ti vi com ninguém desde que abrimos isso aqui... E aí? Você tem a ferramenta para pegar homens de todos os tipos e modelos, além desse cabelo ruivo ai e desses olhos verdes lindos, porque Deus não é justo e te deu toda a beleza do universo. Ta esperando o que? - Davi emanava seu jeitão divertido. 
-Não encontrei ninguém interessante, além do mais eu não posso me preocupar com isso, tenho que ficar rodando pelo salão, falando com as pessoas, você sabe. - Ela se esgueirou do assunto. 
-Ta bom madre teresa, acredito nesta desculpa como se não te conhecesse. - Ele a olhou fazendo careta - Você tem que relaxar mulher, curtir, aproveitar. 
-E você tem que calar essa boca e trabalhar, ok? Ok! - Ela fingiu estar irritada. 
-Ta, já vou, já vou, porque sou eu que faço tudo aqui mesmo. 

E assim passaram o resto da tarde imersos nas coisas da boate, sempre rindo e brincando descontraídos, como melhores amigos que eram. E quando a noite caiu, cada um foi para sua casa se arrumar e depois, voltar para começar os trabalhos da noite. 
...
Enquanto isso, longe dali, na região das favelas do Rio, Pedro estava numa espécie de casa de jogo bem afastada, como este tipo de prática era proibida, os bicheiros abriam seus estabelecimentos nos lugares mais sórdidos, sabendo que nenhuma autoridade os incomodaria lá. Dentro da casa, vários homens bebendo e jogando, apostando, tudo na clandestinidade como é de praxe nesses lugares. O cheiro era horrível, muita fumaça - de cigarro e de maconha também - além de musica e mulheres semi nuas servindo as messas, mas Pedro não estava se importando com nada ao seu redor. 

Vestido com seu traje de sempre, calça jeans preta, camisa preta, jaqueta de couro preta e coturnos também pretos, já entrou no local, localizou o alvo em dois segundos, foi até ele, o pegou pela gola da camisa, ergueu e encostou na parede segurando pelo pescoço. Todos que estavam ali ficaram assustados, mas de certa forma já estavam acostumados com cenas como aquelas, além do mais, Pedro não tinha vindo sozinho. "H" - um coreano alto e forte - e "Black" - Um negro maior ainda - que também trabalhavam para Tony, tinham vindo junto com ele para dar um reforço. Estavam todos armados e ninguém se meteria a besta com eles. 

-Sabe porque estou aqui não sabe? - Pedro perguntava ao homem que segurava pelo pescoço.
-Calma... Calma cara...! - O homem meio baixo e gordo buscava o fôlego. 
-Tony quer receber o dinheiro que lhe emprestou, e ele quer agora. - Pedro insistiu, falava num tom baixo e frio, os olhos cravados nos do homem. 
-Calma... vamos conversar primeiro. - O homem suplicava, Pedro sorriu de canto. 
-Eu tenho cara de quem quer conversar? - Maneou a cabeça para o lado - Deixe-me refrescar sua memória, Tony lhe emprestou um dinheiro alto, e isso já tem algum tempo, o prazo venceu, mas como ele é um cara legal, mandou alguns recadinhos para você, avisando da dívida, você ignorou todos. - O homem suava, enquanto Pedro, parecia estar deitado numa rede, nem uma gota de suor, nada de esforço - Achou que íamos simplesmente esquecer? 
-O que é essa micharia para o Tony que tem tanta grana? - O homem cuspiu as palavras, primeiro erro.
-Ninguém aqui é politico pra dar dinheiro em troca de nada, vou perguntar só mais uma vez, onde esta o dinheiro? - O prensou mais forte na parede.
-Ta aqui, ta aqui, ta tudo aqui! - O homem estava se borrando de medo - Eu ia pagar, Juro! 
-Ia não, vai! - Apertou um pouco mais o pescoço do homem. 
-Calma cara... - O homem já estava ficando roxo. 
-Cadê o dinheiro? - Pedro alterou a voz. 
-Na... Na maleta... Ali! - O homem apontou para uma maleta em baixo da mesa.

Foi então que Pedro fez um gesto para que H conferisse a maleta, ele o fez e o dinheiro todo estava lá:
-Muito bem, foi um prazer negociar com você. - Pedro sorriu de canto e o soltou.
-Vocês são... são uns ... - O homem tentava insultar mas não tinha fôlego. 
-Somos muito bonzinhos em deixar você vivo. - Pedro falou baixinho perto de seu ouvido. Vai pensar duas vezes antes de querer brincar com quem é maior que você. 
Então, deu dois tapinhas nas costas do cara e saíram os três, montaram em suas motos e cortaram a escuridão em direção ao "Esconderijo" do chefe. 

O pessoal do "Grupo" de Tony - não gostavam de ser chamados de gangue - não se importava muito com as leis, com as regras de trânsito principalmente, então, cortavam as ruas na velocidade da luz, como jatos, sem medo de nada. Pareciam vultos pretos que passavam despercebidos fácil na escuridão, eram como morcegos, só saiam a noite, não gostavam da luz do dia, vampiros com cede de aventura e adrenalina.

-Aqui esta a grana. - Pedro entregou a maleta ao chefe quando chegaram até ele.
-Hum, muito bom. E ele? - Perguntou enquanto conferia o dinheiro. 
-Aprendeu a lição. - Black sorriu de canto. 
-Perfeito, aqui esta a parte de vocês, por hoje é só. 

Então, distribuiu o pagamento de seus soldados e bem neste momento, Mey chegou junto a eles:
-Ai Tony, ainda não acredito que me deixou de fora dessa. - Ela reclamava. 
-Não precisavam de você lá, já disse. - Ele respondeu natural. 
-Só precisam de mim para seduzir velhos babões né? - Cruzou os braços, todos riram. 
-Exatamente Mey, essa é sua função no grupo. - Pedro brincou. 
-Mas e aí rapazes, já que pegaram uma boa grana, o que vamos fazer com o resto dessa noite? - Se escorou no ombro de Pedro falando pertinho de seu ouvido. 
-Que tal irmos naquela boate que abriu esses dias, Precious eu acho. - H sugeriu. 
-Ouvi dizer que é uma boate de bacana, só a galera de Copacabana vai lá. - Black se manifestou.
-Ué, e olhando para mim você não diz que eu moro em uma das coberturas de frente pro mar? - Ela se mostrou - Eu acho ótimo irmos lá, e você Massaro? - Mey perguntou a Pedro. 
-Não sei, quer mesmo se meter com os play boys? Porque não vamos ao lugar de sempre- Ele exitou. 
-Porque eu estou de saco cheio do lugar de sempre, quero conhecer gente nova, play boys novos. - Ela sorria com seu olhar felino. 
-Ta bom então, você venceu. - Ele sorriu de canto.

E assim, se despediram, e quando os outros três saíram, Tony chamou:
-Massaro! 
-Oi... - Ele virou-se imediatamente. 
-Cuide deles, para que não façam nenhuma besteira. - Pediu. 
-Pode deixar. - acenou e saiu. 

Mey, H e Black foram de carro desta vez, mas Pedro não abriu mão de sua companheira inseparável e foi de moto. Chegaram no estacionamento da Precious por volta das 23:30, a casa já estava fervendo de gente, funcionando a todo vapor. Dava pra ouvir a musica eletrônica de fora, e também dava pra ver os quase 10 seguranças que só de vê-los já ficaram atentos. 

Se aproximaram da entrada, e logo foram barrados:
-Desculpem, a casa atingiu sua lotação. - Um segurança enorme e branco falou sério. 
-O que? Mas são só 23:30 cara! - Mey reclamou. 
-A Precious é uma boate conceituada, toda a elite de Copacabana e Ipanema esta aqui dentro, tem deles que ligaram com uma semana de antecedência para reservar sua entrada, eu sinto muito. - Ele conferiu a moça com desprezo. 
-Tem certeza que é por isso mesmo que não quer nos deixar entrar? - Pedro tomou a frente da conversa, se tinha uma coisa na vida que ele odiava era injustiça. 
-Qual é cara? Que diferença vai fazer quatro pessoas a mais ai dentro? - H interveio - Nos temos dinheiro para pagar. 
-Sinto muito, não posso fazer nada por vocês, podem se retirar por favor? - O segurança estava irredutível. 
-Quem é o dono dessa joça? Só saio daqui quando falar com ele! - Mey cruzou os braços. 

Os seguranças se entreolharam por um instante, foi ai que o outro afirmou com a cabeça mandou um rádio para o outro que estava lá dentro chamar Sophie:
-Ela já esta vindo, só um instante. 
-A dona daqui é uma mulher? - Pedro sorriu - Vai ser fácil. 

E em questão de minutos, Sophia já estava la fora, junto com Davi:
-O que esta acontecendo aqui? - Ela perguntou, e bem nessa hora, Pedro que estava distraído olhando para o outro lado, voltou-se para ela, e foi ai que seus olhos se encontraram pela primeira vez. 


[Continua]




Nhaaaaaaaaaaaaaac
E aí amores, o que acharam? 
Agora deu pra saber um pouquinho mais sobre os personagens e seus mundos né? 
haha'
Mas e agora? 
Sophie e Pedro se encontraram, 
será que ela vai deixa-los entrar? 

Aguardem! 

Beijokas,

Mayara
@Luansmyway

4 comentários:

  1. Mayyyy to amando!!! Amei a história e bem diferente ... Sua cara kkkk ninguem melhor pra escrevê-la bjss

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  2. Maay, eu gosto tanto de vc e do seu jeito de escrever, eu jurei pra mim mesma q nunca te abandonaria mas infelizmente eu não consigo ler outra coisa a n ser que tenha o luan rs Virou um vicio. Acredita que até livro eu baixo aqui e na metade eu paro? Virou vicio de vdd le sobre o Luan, quando a gente já gosta da coisa dá mais interesse ainda e ler né? rs Eu não vou ler essa historia, mas no dia que vc voltar a escrever sobre o Luan, eu vou voltar correendo pra cá! Boa sorte pra vc nessa nova historia, viu ? De coração, beijãao!

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  3. Meu Deus, eles se encontraram *-* continua ? Beijoo

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  4. Primeiro olhares deles, Meu Deus to amando, trate logo de publicar para nois leitoras, rsrs" Beijoo!

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